A vida é cheia de enigmas, e quando você pensa que se encontrou, no minuto seguinte descobre que tudo era como papel, que uma vez amassado por mais que você tente jamais deixara de ter rugas. Passamos à vida buscando estabilidade; um amor verdadeiro, um emprego estável, uma casa segura, um lar tranqüilo. Vivemos buscando utensílios e enfeites para nossa casa; um Buda, um quadro ou um “guá” que harmonize a casa, porque na verdade o que queremos harmonizar é a nossa vida.
O ser humano integral é composto de corpo e sentimentos, onde o corpo determina os sentimentos e os sentimentos determinam o estado do corpo, de maneira a entender que quando você percebe que não esta bem com o seu corpo você adoece sua mente e quando um ser humano integral tem uma mente insana, precisamente ai implica a situação do corpo, porque passa a padecer de doenças psicossomáticas, enfermidades, que surgem como se não fossem nada serio, mas que podem agravar-se levando-o a mudar toda sua historia em uma busca incessante de uma felicidade que não encontra em plenitude, porque está nas coisas mais simples, nas coisas que na grande maioria das vezes, o ser humano não gosta.
Saímos de casa, nos tornamos supostamente independentes, mudamos de endereço, de emprego, de país, falamos uma língua que não é nossa, adotamos uma cultura que não conhecemos, abraçamos outras pátrias e nos deixamos levar pelas cores do mundo, queremos esquecer o caminho de volta, porque existem coisas na vida que são inexoráveis, mas sempre voltamos para ser testemunha da nossa própria historia, para provar a nos mesmos aquilo que nem sequer temos certeza que é verdade, porque a verdade é que a cada dia se constrói uma nova historia, com novos personagens, novos cenários, perspectivas, vitória e caídas, mas nunca com derrotas, por que sempre há um amanha cheio de possibilidades, cores, cheiros, detalhes e decisões inesquecíveis e avassaladoras.
Essa semana estava em cima da casa para desinstalar uma antena porque estava mudando de endereço, quando desci encontrei na porta da casa da minha vizinha um menino com aproximadamente sete anos comendo uma “alláca”(uma iguaria da culinária venezuelana) que ganhou da minha vizinha ao pedir comida, estava só, se sentou no chão da porta da casa e comeu ai tranqüilo sem se importar com os olhares dos adultos que meio o rodeavam sem muita surpresa, já que a contemporaneidade traz repetidamente essa cena. Contudo é impossível (pelo menos para min) não sentir vontade de ajudar, já que se trata de uma criança que como ser integral, pode ter um futuro comprometido pela falta de recursos e de oportunidade, que explico existem, mas são excluídas pelo fato deste ser então crescer a margem da sociedade.
A imagem do menino venezuelano que trazia características semelhantes as que trazem os que vivem nos lixões do Brasil, sentado na porta da casa de uma família que vive regozijada num quase luxo, para mim foi impactante, mas infelizmente para ajudar o menino teria que ajudar toda sua família, por que isso não é só um problema financeiro causado pela economia venezuelana, mas uma questão de estrutura familiar, psíquico e ideológico dos genitores do grupo em questão.
Mas por que nos fazemos tão covardes ao ponto de crer que somos incapazes de ajudar? Porque na verdade o que não fazemos é cogitar essa possibilidade, pela nossa própria patologia mental de que somos frágeis e incapazes de fazer coisas grandes, sendo conscientes de que só as grandes ações resolvem esse tipo de problema.
Tudo então se torna muito lógico. Para resolver o problema da sociedade, temos que resolver primeiro o nosso problema endógeno, que consiste em uma patologia psicosamática causada pela pós-modernidade, as crenças, as descrenças, o fanatismo, o psiquismo doente e o grande e pior de todos os erros que é o do “quase”, tão bem esclarecido na citação de Luiz Fernando Veríssimo de mesmo nome; a mania de viver no outono, de sussurrar bom dia e de não ter coragem nem pra ser feliz.
Atitude já!
Romário Guimarães de Sá
martes, 23 de marzo de 2010
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